RELEASE DA BANDA

O Surfista Prateado é um trio de rock carioca cujo nome está gravado no inconsciente coletivo do cenário alternativo há muito tempo. Embora carregado há anos pelo seu fundador e único remanescente original, o batera Nilson Baptista, foi somente há um ano e meio que a banda renasceu e encontrou sua formação atual, ao mesmo tempo em que consolidava em um novo disco sua nova identidade musical – o que fez as engrenagens do rock começaram a se movimentar novamente, e cair na estrada o destino a seguir.

Com letras em português, por vezes festeiras, por vezes introspectivas, e mesmo críticas – mas sempre com refrões cativantes, e levadas que destilam as influências de cada membro num passeio energético pelo rock, punk, ska, reggae e surf music, – sendo muitas vezes todos misturados na mesma canção, a banda parece soar ao mesmo tempo familiar e única para o público – que frequentemente ouve na música do Surfista Prateado ecos da sonoridade de bandas que ousaram o mesmo tipo de misturas, como The Clash, The Police, Spy vs. Spy, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Ira! e tantos outros…

Com Pedro “Confetti” Conforti nos vocais e guitarras, e Alexxandre Dub no baixo, a banda acaba de lançar seu novo CD, “Fácil Pra Você”, em parceria com o veterano músico e produtor Geraldo D’Arbilly (Duran Duran, David Bowie, Madness, Talking Heads, Ira!, entre outros), através de seu selo, Atomic Records.

Rio de Janeiro, Maio de 2009.

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RESENHA DO DISCO

Surfista Prateado – Fácil Pra Você

(pelo crítico musical Rodrigo Sabatinelli)

Outro dia em casa, mergulhado em textos e roteiros que me permitem pagar as contas em dia, Nilson (Baptista, baterista) me liga convidando pra fazer o release do Surfista Prateado, banda que carrega nas costas desde que me conheço por gente.

Nem pensei! Topei na hora, afinal de contas, seria um prazer escrever o texto de apresentação (?) de um trio que vi nascer e que (quando penso que lá se foram bem mais de dez anos desde a primeira vez em que os vi em cima de um palco), me tira um sorriso do rosto e deixa um puta saudosismo no ar sempre que olho pra trás.

Enquanto a vida me permitia tamanhas andanças e me poupava de tantos afazeres, vivia metido em casas noturnas como a Basement (aqui jaz), da Galeria Alaska, em Copa, o antigo Mistura Fina (aquele da Lagoa), o Circo Voador e a Perestroika (que virou Capitão Caverna e um monte de outras coisas), na Barra, só pra vê-los.

Hoje, correndo de um lado pro outro, acompanho tudo pela Internet e divido comentários sobre eles nas melhores rodas de discussão dos amantes cariocas da boa música.

O mais engraçado é que, naquela época (coisa de 1992, 93), ser um power trio era algo pra lá de heróico. Era preciso saber tocar, tocar de verdade. Hoje, soa datado, que pena porque dizem que a onda agora é meter DJ no background, fundir o rock com o hip hop, transgredir o impossível. Bah! (de “Balela”), zero saco pra isso!

Graças ao Nilson, o Surfista Prateado ainda vive, não agoniza e se mantém firme como um dos mais verdadeiramente heróicos trios de rock desse país, sem frescuras nem (re)invenções.

Ele, inclusive, sempre fez questão de dizer (batendo no peito e nos tambores) que a banda era “baixo, guitarra e bateria”, nada mais. Porque o Surfista Prateado sempre primou pelo simples, pelo verdadeiro e pelo humano.

Fosse nas letras, na atitude ou mesmo na forma como o grupo se relacionava (e ainda se relaciona) com seus fãs e amigos. E é por essas e outras que estão aí, lançando um disco foda, simplesmente foda!

Mas o “Nilsão” não ‘tá sozinho. Depois de muitas mexidas no time, como um verdadeiro maestro, encontrou dois loucos que pensam como ele. Pedro Conforti e Alexxandre Dub – respectivamente, guitarrista/vocalista e baixista, chegaram pra compor o “meio de campo e o ataque’, já que a “defesa” esteve sempre muito bem armada.

Juntos, eles tiraram o super-herói de um “coma induzido” e o ressuscitaram. Tudo com a ajuda do velho (no bom sentido, claro) e bom produtor musical Geraldo D’Arbilly, que traz na bagagem internacional, entre outras experiências, trabalhos com nomes como Duran Duran, David Bowie, Talking Heads (além de parcerias com Ira!, Inocentes, Picassos Falsos, daqui do Brasil).

O fruto dessa nem tão inusitada união (Geraldo e Nilson se conhecem há anos e ensaiam esse “duo” não é de hoje) chama-se Fácil Pra Você e tem apenas sete (meu número da sorte) canções. Cinco delas são ditas novas, enquanto duas…bem, sem muita enrolação, vamos a elas.

A faixa-título, Fácil pra Você, que abre o disco, é uma das que fazem parte da nova safra. Ela já começa incendiando, flamejante, e mostra que o novo vocalista tem personalidade pra encarar a “responsa” de assumir a frente do trio.

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Em seguida, o Ieieiê se faz presente e deixa Tempo Demais com um puta groove de baixo e batera. Sem falar na guitarrinha surfer (trocadilhos à parte) que ganha espaço no meio de tudo. Vale destacar, ainda, na faixa, a vocalização a la Beach Boys, a “psicodelia Policeana”, (o The Police, aliás, éoutra grande influência do grupo), e o toque eletrônico das programações e efeitos de Geraldo D?arbilly.

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Nesse CD, Saudades de Você, uma composição de Simbas, vocalista do grupo Casa das Máquinas, ganha novo tom. Com uma pegada precisa, que realça a flutuante cozinha de baixo e bateria, ela se transforma lá por volta de 1:40, quando o delirante saxofone de Yuri Villar Gomez (Bondesom) prepara os ouvintes para o solo de guitarra de Conforti, roqueiro nato, que mostrou a que veio.

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Dias, outra boa pedida, é, sem dúvida alguma, a mais pop, do ponto de vista radiofônico. Sutil, leve, pode ser considerada “A Balada” do trabalho, ainda que seus BPMs não sejam tão “pra trás”.

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Seguindo a sua linha vêm Lembranças, parceria da banda com D’arbilly e Mario Guglielmi, ex-baixista do trio, tem solo de violino de Allyson Campos, e As Mesmas Palavras (essa última, assim como Saudades de Você, é uma velha conhecida). Tanto uma quanto a outra contam com tudo o que é de direito em um power trio (ou seja, introduções de peso, solos e guitarras cavalgadas) e, por isso, se mostram auto-suficientes.

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Quando ouço Licença Para o Sol, que fecha a tampa, me passa um filme pela cabeça. Vejo o amadurecimento de uma banda, mas, acima de tudo, me recordo de um tempo em que as coisas eram encaradas de outra maneira. Um tempo em que fazer música era uma questão de vida. Era necessário e renovador.

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Por isso, não tenho dúvidas de que um texto como esse, cheio de aspas e parênteses, deva cansar os olhos das pessoas. Mas, me permitam o exagero e o abuso da utilização… é que, pra “pontuar” tantas coisas já vividas nessa vida, é preciso ir fundo. Mergulhar, viajar.

Chega de preguiça! Persistência é o que há!

Salve, Surfista Prateado! Salve, música de verdade!
(Rodrigo Sabatinelli, maio de 2008)